A transição dos clubes e a adequação à informalidade das redes sociais na hora de comunicar.

 

Eu estava com um tempinho livre, sentei no sofá da sala e gastei todas as minhas horas disponíveis vendo vídeos de animais fofinhos no Facebook, olhando stories de celebridades e subcelebridades no Instagram, e especulando certo ou errado em polêmicas que definitivamente não me envolvem. Uma nova cultura que afetou a mim e metade da torcida do Flamengo (veja bem, muita gente). 

 

Facebook, Twitter e Instagram são as principais redes de acesso da massa ativa na internet. Segundo um estudo realizado pela We Are Social, no ano de 2007, 58% da população brasileira está nas redes sociais, o que representa cerca de 122 milhões de usuários ativos. Com isso é possível ranquear as redes favoritas dos brasileiros. O Facebook aparece em primeiro lugar, o WhatsApp em segundo, e logo surge o YouTube, o Instagram e o Twitter, ou seja, consumimos todo tipo de conteúdo em diversos formatos.

 

E foi percebendo essa grande inserção nas redes que o futebol passou a se valer disso para comunicar e para se aproximar dos seus torcedores. Atualmente, todos os clubes da Série A do Campeonato Brasileiro possuem redes sociais e são extremamente ativos por lá, principalmente no Twitter. A rede não é unanimidade em todas as faixas etárias, mas é naquele ambiente que a comunicação mais informal acontece, e é lá que os social medias estão mais livres para comunicar de maneira descontraída, brincar e até entrar na “corneta” do rival se necessário for. A onda do “estagiário engraçadinho” pegou. E clubes como o Santos, o Corinthians e a própria Chapecoense usam desse recurso para estar em pauta afinal, uma marca quer ser assunto, e clubes de futebol já representam diversas marcas por meio de patrocínios, sendo assim quanto mais atenção, melhor.

Perfil do Juventude brinca com torcedores.

 

Perfil do Avaí faz piada com um lance em que seu jogador aplicou uma caneta num jogador do Grêmio.

 

No mesmo caminho do consumo de conteúdo, há o YouTube, cuja plataforma os clubes investem produzindo material com jogadores, relembram antigos atletas, divulgam treinos, coletivas e bastidores de partidas. No Brasil, o Flamengo é líder de inscritos, com quase um milhão e meio de contas consumindo o conteúdo que a FlaTv produz. No mundo, o Barcelona lidera a rede com mais de cinco milhões de inscritos. Já a rede que mais cresceu nos últimos anos foi o Instagram, os clubes juntos somaram 6,3 milhões de novos seguidores. A função dos stories é uma das principais responsáveis pelo crescimento da plataforma, a possibilidade de acompanhar o dia a dia do clube de coração atrai a atenção dos torcedores e o Instagram se torna a referência para os clubes direcionarem seu conteúdo.

 

No início do ano havia especulações sobre a saída do jogador Everton, do Grêmio. O clube tratou de brincar que essa relação é match.

 

Essa nova era que os clubes estão expostos, assim como todos os outros âmbitos da sociedade, vem requerendo uma mudança estrutural e uma adaptação às novas mídias, novas formas de consumo, novos usuários e novas vozes. O que implica em funcionários capacitados para desempenhar cada uma dessas novas funções. E por consequência no comportamento do torcedor, que pode se manifestar a qualquer hora, por qualquer um dos meios disponíveis, contente ou não, obrigando os clubes a trabalharem com gerenciamento de crise, um outro viés da comunicação.