Sem uma estratégia de marketing, as talentosas ações publicitárias podem ser facilmente esquecidas

 

 

A busca das marcas pela valorização e reconhecimento é uma corrida diária. Hoje, vemos grandes marcas apostarem seus investimentos em diferentes tecnologias, patrocínios e contratações expressivas de celebridades, porém, por trás de cada uma dessas campanhas publicitárias deve haver uma estratégia. Estratégia nada mais é do que o planejamento antecipado de todas as ações que irão compor a divulgação de uma marca, produto ou serviço. É um conjunto de elementos que leva o consumidor a uma grande jornada até a compra final. Já as ações feitas para chegar ao objetivo são as táticas.

 

            O grande problema é que, hoje em dia, diversas publicidades são usadas nos modelos das novas mídias, fabricando ideias isoladas, muitas vezes impactantes, porém descartáveis. Nos deparamos com marcas que possuem uma peça, como por exemplo um comercial, extremamente talentoso, sendo capazes de criar uma brilhante ideia isolada, porém, com grande dificuldade de desenvolver uma campanha completa, lançar de forma eficaz um novo produto ou reposicionar a própria identidade. Esses, de fato, são movimentos táticos extremamente importantes, contudo, essas ações devem vir somente depois de criado um planejamento, para que não sejam esquecidas com facilidade. Gosto de citar Sun Tzu, estrategista militar chinês: “Estratégia sem tática é o caminho mais lento para a vitória. Táticas sem estratégia são o barulho antes da derrota.”

 

Nesse sentido, é preciso evoluir. O desafio, ao invés de ser criativo, passa a ser outro: como estabelecer a melhor estratégia? O primeiro, e mais importante passo, é definir o objetivo da campanha. Assim, preciso saber se quero vender o meu produto, tornar minha marca mais conhecida, ou ainda conseguir novos representantes. O objetivo é apenas um. Além disso, é necessário conhecer o público que se quer atingir, saber quais são os seus hábitos, em quais canais de comunicação essas pessoas estão, suas preferências e etc. A partir daí, é possível levantar os meios e veículos nos quais a mensagem deve ser inserida. Porém, é importante analisar qual é essa mensagem. Estamos passando a mensagem correta, da forma ideal?

 

E, para concluir a estratégia, deve-se saber para onde não ir. Isso mesmo, para onde não ir. Talvez o desejo do dono da empresa ou do coordenador de marketing seja contratar o ator da novela das 8, ou veicular o comercial no telejornal mais visto da cidade. Cada ideia deve ser considerada, entretanto, será que essas ações têm relação genuína com a marca? Se não tiverem, estará identificado para onde não se deve ir.

 

Grandes campanhas têm suas estratégias previstas a longos prazos, e inseridas em meios de comunicação diferentes. Quem já não se deparou com a campanha da Pepsi, que com um “pode ser” se posicionou com orgulho em segundo lugar, mas atingiu durante muito tempo (talvez até hoje) estrategicamente o público-alvo? Se conseguirmos de fato criar uma estratégia que mude a vida das pessoas de alguma forma, a conquista de clientes será certa. Não podemos deixar grandes ideias serem descartáveis, é preciso nortear os esforços, ter objetivos e construir campanhas que sejam memoráveis.

 

Texto: Nicole Merib Adami - Publicitária e Atendimento na Interativacom

Publicado na Revista Noi na edição Setembro/2018

Ideias criativas mas descartaveis